Evento é reconhecido como bem imaterial do Município desde 2023
Nesta quinta-feira, 30 de julho, na Paróquia da Sagrada Família, no bairro Bela Vista, tem início o tríduo preparatório para a Festa dos Carreiros, das Sementes e de São Sebastião. O tríduo vai até o sábado, dia 1.o de agosto. O ponto culminante do evento será no domingo, dia 2, pela manhã, a partir das 8h, com o tradicional cortejo de carros de boi, carroças, automóveis, caminhões, motos, bicicletas, cavalos e pessoas a pé, saindo da Praça Evaristo Soares de Paula, entrada do Parque de Exposições Antônio Ernesto de Salvo. O cortejo percorrerá avenidas e ruas da cidade com a imagem do soldado mártir, passando pelo Centro e bairro Maria Amália. Em frente à igreja-matriz da Sagrada Família, haverá a bênção das sementes, seguida de celebração eucarística.
Nos demais dias, de 30 de julho a 1.o de agosto, a programação incluirá terço mariano às 18h30 e missa às 19h. Na sequência, ao longo da Rua Juca Véo, funcionamento de barraquinhas com leilões, música ao vivo, comidas e bebidas típicas.
A festa litúrgica de São Sebastião é celebrada pela Igreja Católica em 20 de janeiro, mas em Curvelo o santo é festejado em agosto há pelo menos 80 anos. Antes, a festa era realizada na Paróquia de Santo Antônio. Em de 1957, a Arquidiocese de Diamantina instalou a Paróquia da Sagrada Família, para a qual a celebração se transferiu anos mais tarde.
Primitivamente, entre o primeiro e o segundo final de semana do mês de agosto, moradores da zona rural saiam de suas terras, em carros de boi e carroças, e levavam sementes à Matriz de Santo Antônio para serem abençoadas. Essas sementes eram depois misturadas à demais destinadas ao plantio, a fim de que houvesse colheita em abundância. Com o tempo, a demonstração de fé e piedade tornou São Sebastião o patrono dos homens e mulheres do campo no Município, protegendo-os contra a peste, a fome e a guerra.
Durante décadas, o formato da celebração foi o mesmo adotado até recentemente, com novena, missas, barraquinhas, bênção das sementes e a procissão dos carreiros. A festa só não se realizou durante a pandemia de covid-19 e, a partir de 2022, ainda impactada pela crise pandêmica, diminuiu de tamanho e passou a ser realizada de quinta a domingo.
Entendida como manifestação de grande importância para a identidade cultural dos curvelanos, a Festa dos Carreiros, das Sementes e de São Sebastião foi documentada e reconhecida formalmente em 2023 como parte integrante do patrimônio cultural do Município, na qualidade de bem imaterial a ser preservado e protegido, para que tenha condições de continuidade pelas próximas gerações.
O bem cultural imaterial (um ofício, uma dança, uma culinária típica, uma festa, caso em tela) constitui a memória viva de uma comunidade, pois contempla, ao mesmo tempo, a história, os valores e a identidade do povo do lugar. Constitui patrimônio que fortalece o interesse coletivo e o pertencimento. Ao reconhecer e preservar a própria cultura, unida em torno de tradições nela arraigadas, a comunidade mostra-se única no contexto regional e até nacional, atraindo visibilidade que pode contribuir para seu desenvolvimento socioeconômico.
A Festa dos Carreiros, das Sementes e de São Sebastião ganhou o devido reconhecimento como bem cultural imaterial por guardar a história e a identidade do povo curvelano, tendo como base forte tradição rural. E é importante ressaltar que a agricultura e a pecuária sempre serviram de esteio à economia curvelana, ao ponto de se tornarem símbolos heráldicos na bandeira e no brasão do Município. Os carreiros também evocam os antigos tropeiros que participaram da formação do núcleo populacional que se transformaria na cidade de hoje. O evento pode ser considerado, ainda, um dos raros momentos em que moradores das zonas urbana e rural estreitam laços e trocam experiências culturais. No palco da festa, entre as atrações, destaque para a Dança do Gamba, manifestação folclórica cultuada e difundida por moradores da comunidade rural de Canabrava.
São Sebastião, o santo em torno do qual toda essa tradição se formou em Curvelo, era soldado do exército romano. Foi martirizado por professar o cristianismo e se recusar a abandoná-lo. Diferentemente do que sua iconografia sugere, não morreu por golpes de flechas, mas por espancamento. Sua história chegou à atualidade pelos documentos relativos à sua condenação e martírio. Com poucas informações sobre o processo e as torturas infligidas aos condenados, essas atas eram expostas ao público com a finalidade de, pelo medo, desestimular o surgimento de novos cristãos.
Pároco da Sagrada Família, o padre Tadeu do Rosário Pereira avalia que, no ano passado, o fluxo de fiéis e devotos nos quatro dias do evento foi consideravelmente elevado e deve aumentar em 2026, em virtude da divulgação antecipada e mais abrangente.
CRÉDITO DAS FOTOS: PASCOM/PARÓQUIA SAGRADA FAMÍLIA – Imagens de 2025